Ângelo Menezes Freire
Ângelo Menezes Freire
Endodontia Microscópica, Clínica e Cirúrgica

Ponto de Vista

11h55

Patência e ampliação do forame apical

Na endodontia atual encontramos muitos paradigmas sendo modificados…

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Patência e ampliação do forame apical

Na endodontia atual encontramos muitos paradigmas sendo modificados… alguns conceitos, teorias, padrões, seguidos anteriormente, foram trocados por novos conceitos pautados nas respostas clínicas. Afirmar que as mudanças são definitivas é muita presunção… entretanto, afirmar que está errado, teria que provar o contrário. Mesmo porque, a ciência endodôntica ainda é norteada mais por evidências clínicas do que por evidências científicas. E nas áreas de saúde, principalmente, as verdades são transitórias, pois o que se afirma hoje, algum tempo depois poderá ser modificado.

Poderei citar alguns exemplos:

1- O hipoclorito de sódio é utilizado por oito (8) décadas, e ainda não existe uma evidência científica publicada afirmando qual o pH ou concentração ideal e em que temperatura é eficiente para dissolver tecidos  em áreas de difícil acesso no interior dos canais radiculares.  O que gera um grande equívoco é que o NaOCl dissolve tecido em áreas mais superficiais e remove a matéria orgânica da smear layer. A literatura ainda não relatou a eficiência do hipoclorito em istmos e reentrâncias, ou em locais mais profundos dos canais radiculares, ao contrário, tem demonstrado que não dissolve. Pois para dissolver tecido é necessário um grande volume, tempo de contato com os tecidos e alta concentração, em proporções diferentes do que se usa na clínica diária. Não obstante,  a busca pelo uso do  NaOCl é devido ao seu  poder de dissolução tecidual.

2- Estabelecer o limite de trabalho através de imagens radiográficas, somando com a sensação tácti e comprimento médio do canal, é aceitável, ainda em algumas escolas, porém não é o que a endodontia atual preconiza. Sobretudo pelo fato de falhas que podem ocorrer na leitura de cada situação. Por vezes achamos que estamos no interior dos canais, mas é um mero engano, pelo fato de não sabermos em que altura ou angulação se encontra o forame. Este, em muitas vezes encontra-se am torno de 3mm aquém do ápice radiográfico (veja imagens no slideshow). Portanto, preconizar um limite de 0,5mm, 1mm ou 2mm aquém do limite radiográfico, ou o instrumento está fora do canal ou aquém do limite desejado. É importante, para que se tenha uma segurança maior, o uso de localizadores eletrônicos foraminais. E não apenas isso, é necessário saber o seu funcionamento. A identificação do forame só acontece quando o instrumento atinge o forame, isto é o aparelho acusa o ponto zero.

3- A patência do forame apical é um passo extremamente importante para a endodontia atual, sobretudo pela proposta de limpeza foraminal e prevenção no acúmullo de raspas de dentina que pode comprometer o preparo do terço apical. Foi idealizada por Schilder no década de 70, e tendo Buchanan como seu maior divulgador. Segundo estes dois grandes nomes da endodontia,  a intenção da patência é fazer o desbridamento do forame mantendo a forma original do forame apical… mas a literatura relata que mesmo utilizando a lima padrão, lima tipo K#10 , considerada a lima de patência, força mais uma parede que outra, promovendo uma pequena alteração e diminuta ampliação, deixando ainda resíduos nas paredes, principalmente em canais curvos ( wu 2001).

Entretanto, mesmo promovendo esta pequena variação, é um passo de importância fundamental, pois irá não apenas impedir o acúmulo de raspas de dentina evitando desvios ou perdas do limite de trabalho, mas sobretudo em canais infectados, irá interferir no arranjo microbiano existente no forame apical, promovendo um desequilíbrio e redução da agressividade bacteriana e portanto induzindo uma resposta biológica, na maioria das vezes, positiva.

Mas, o que é mais interessante… a patência apenas não é suficiente para limpar o forame. O diâmetro do forame, outro paradigma quebrado, é maior do que se pensa. Instrumentos de numeração inferior ao #25 passam pelo forame, fazendo simples patência tocando em uma das paredes deixando boa parte ao redor intacta e contaminada (Veja imagens no slideshow).

A proposta de ampliação do forame apical, através da Técnica da FOP-UNICAMP, tendo como seu idealizador o Prof. Francisco José de Souza Filho, tem como foco principal a limpeza real do forame apical, a remoção mecânica do arranjo microbiano das paredes do forame, com um protocolo preciso e seguro. A limpeza e remoção de dentina contaminada e biofilme só acontece pela ação mecânica. A literatura ainda não apresentou nenhuma substância química capaz de dissolver ou remover o biofilme microbiano.

Posso afirmar que as respostas obtidas na minha clínica diária  impressionam. Após 27 anos realizando endodontia baseado em princípios como: manutenção de coto periodontal apical e hipoclorito de sódio… terapia a longo prazo com Ca(OH)2, etc… tive o prazer e felicidade de conhecer e experimentar, através do curso de mestrado, tendo como meu orientador o Prof. Francisco José de Souza Filho, a Técnica da FOP-UNICAMP. Vejo resultados surpreendentes em situações que de outra forma poderiam necessitar de retratamento. Principalmente em casos de dentes com lesão apical.

Selye em 1959, com trabalho histológico mostrou a resposta de tecido conectivo em tubos implantados em dorso de ratos, mostrando a invaginação de tecido conectivo para o interior dos tubos.

Trabalho realizado por Hessiom 1979, afirmava que deve-se levar a defesa orgânica para a área infectada… que se deve alargar mais para permitir um maior acesso de células de defesa.

Torneck  1966- Oral Surg.1966; 21:379-387 – relatou que “a capacidade de invaginação de tecido de cicatrização depende da relação comprimento e diâmetro dos tubos”. Afirmando que, quanto maior o diâmetro, maior quantidade de tecido conectivo invagina.

Oreste Benatti 1985 – publicou sobre o “efeito da ampliação do terço apical do canal na reparação pós-tratamento endodôntico”.

Souza-Filho FJ et al 1987 na sua tese de mestrado, estudou a resposta histopatológica em dentes contaminados, publicando artigo sobre sua tese com o título – Influence of the enlargement of  the apical forâmen in periapical  repair of contaminated teeth of dog. OOOO 1987;64:480.

Souza-Filho FJ 1996 Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent.1996; 50(2). Influência do nível de obturação e do alargamento do forame apical no processo de reparo tecidual.

Trabalhos clínicos tem sido realizados em pacientes há algum tempo e agora, final de 2010 serão publicados, com resultados surpreendentes. Aguardemos

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