Ângelo Menezes Freire
Ângelo Menezes Freire
Endodontia Microscópica, Clínica e Cirúrgica
Técnica da FOP-UNICAMP

Previsibilidade é a palavra que melhor traduz o anseio do profissional que planeja um tratamento endodôntico. Com abrangência dos casos mais simples aos mais complexos, desde que haja condições para realização do tratamento, o objetivo é sempre a cicatrização dos tecidos que envolvem o periodonto apical, e em determinadas situações o periodonto lateral também. O propósito é a indução do organismo a promover a cura do aparelho de inserção do elemento dental, para que este possa retornar às suas funções de estética e mastigação, com segurança.

A premissa básica da Técnica da FOP-UNICAMP é a remoção e limpeza completa, de todo o conteúdo do canal radicular incluindo o coto periodontal, através de técnica que envolve patência com ampliação do forame apical, seguida de hibridização e selamento coronário com resina composta fotopolimerizável, e em determinados casos a confecção de pino de fibra de vidro com resina composta.

A técnica da FOP-UNICAMP foi criada e desenvolvida pelo Profº. Francisco José  Souza Filho, enquanto prof. titular da cadeira de endodontia da FOP. Baseado na experiência clínica e científica,  o prof. Francisco preconizou a técnica com a intenção de evitar qualquer fator de interferência na cicatrização dos tecidos periapicais. Os tecidos dos terços apicais, isto é, próximo à constricção apical, dos canais radiculares, apresentam-se com muito pouco suprimento sanguíneo, portanto, a manipulação destes tecidos, de alguma forma poderá, em algumas situações,  levar à respostas indesejadas. Principalmente quando manipulado de forma intempestiva ou mesmo diante de substâncias químicas mais agressivas. Contudo, a remoção deste tecido, o coto periodontal, poderá beneficiar uma resposta orgânica, porquanto da substituição de um tecido agredido e pouca circulação sanguínea por um coágulo sanguíneo e rico em células de defesa, devido à ampliação numa região limítrofe com um tecido constituído de um  vasto suprimento sanguíneo, que é o periápice. É difícil imaginar um processo cicatricial sem coágulo sanguíneo.

De fundamental importância para que haja a concepção da técnica é o conhecimento da anatomia radicular. O entendimento da disposição anatômica e suas particularidades, conhecendo a anatomia apical e suas especificidades, poderá tornar o profissional mais seguro e preciso. As manobras deverão ser precisas, para facilitar a remoção dos tecidos com eficácia, minimizando as modificações da anatomia original.

Evidentemente que é necessário  seguir um protocolo preciso e com muito rigor. Para tanto, se faz necessário muito treino e dedicação. O princípio da técnica é simples e as manobras poderão ser realizadas com muita precisão, desde que haja o domínio da técnica. A instrumentação dos canais poderá ser manual, rotatória ou hibridizada, isto é, utilizando instrumentação manual alternada com o sistema rotatório. O sistema rotatório poderá ser aquele que o profissional domina… não existindo um sistema específico. Particularmente utilizo o sistema Mtwo (VDW – Germany)

Técnica passo a passo:

Após abertura coronária e desgaste compensatório, faz-se o preenchimento da câmera pulpar com clorexidina gel a 2% (endogel) e uso da broca de largo #2 para promover remoção de interferências e iniciar o preflaring, com pequena pressão no sentido anti-curvatura. Sempre a cada troca de instrumento deverá ser feito irrigação com 5ml de soro fisiológico (seringa de 5ml e agulha 20×0,55) , de forma ativa até onde a agulha alcançar com folga, para remoção da clorexidina com os debris em suspensão e novo preenchimento da câmara com endogel.

Uso da Hero #30/.06 ou #20/06, acorde anatomia radicular, não mais que 16mm, para dar continuidade ao preflaring e remoção de interferências, inicializando a abordagem de istmos e reentrâncias, principalmente em canais achatados. A irrigação com soro fisiológico com vigor é de fundamental importância, seguido de novo preenchimento da câmara com endogel.

 Sequência do uso de Gates #5, 4, 3, 2, sempre com aplicação da clorexidina gel e irrigação com soro fisiológico (5 ml) a cada troca de broca. Para canais classe 1 e 2. Para esta manobra, as Gates são utilizadas no  motor do sistema rotatório com velocidade de 500rpm e torque de 5N, com parcimônia e no sentido anti-curvatura..

Exploração do canal com lima #8 ou 10 até nível do forame, com ajuda do localizador apical. Encontrado o limite CDC, ultrapassa com mais 1 mm, para estabelecer o CRT, e promover a patência. Nova irrigação com 5 ml de soro fisiológico e novo preenchimento com clorexidina gel.

Uso de limas para determinar o diâmetro do forame com a LAI ( lima anatômica inicial). Determinado a LAI faz-se sequência de limas (instrumentação rotatória) com dilatação do forame com 3 a 4 limas acima, determinando a LAF ( lima anatômica final). Fazendo a confirmação com limas manuais.

Irrigação com 5 ml de soro fisiológico e novo preenchimento com clorexidina gel. Determinação da LAF com limas manuais. Fazendo teste de resistência. Inicia-se com lima final até passar com certa resistência. Testando lima #40, se esta não passar do CAD ( ponto zero), então testa a #35. Esta passando com resistência, fica determinada como a LAF.

Creio que vc observou a insistência em relação à constante irrigação e novo preenchimento da câmara com endogel. Este é um dos princípios básicos da técnica. A clorexidina apresenta uma ação reológica, sempre deixando os debris em suspensão que são removido pela ação hidráulica da irrigação, condição precípua para promover o mínimo possível de smear layer.

O protocolo para a obturação exige o canal preenchido com o gel de clorexidina  e faz-se a escolha do cone para moldagem. Seleciona cone com duas numerações acima. Se a LAF foi 35 então o cone deverá ser o de #45. Mede e prepara na régua calibradora e faz a modelagem com pressão vertical do cone, por várias vezes, até sentir que está ajustado. Radiografia para prova do cone.  Irrigação com 5 ml de soro fisiológico e preenchimento com EDTA 17% para promover a remoção do smear layer, agitando com o próprio cone. Mais uma irrigação com EDTA 17% e permanece por 1 a 2 min. enquanto o cone é colocado em soro fisiológico para remoção da substância e prepara o cimento para obturação do canal. Irrigação copiosa com 5 ml de soro fisiológico e secagem com cânulas e cones de papel calibrados para o referido canal. A obturação costumo realizar com técnica termoplastificada, adaptada da Técnica da Onda Contínua de Condensação.

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Ângelo Menezes Freire
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